Sexta, 14 June 2013 04:43

A história de Lobinho

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Essa história aconteceu em 2002, quando eu ainda engatinhava neste mundo da defesa dos animais.

Havia um cão abandonado em Jundiaí. E uma protetora de animais do Rio de Janeiro, que eu nem conhecia na época, a Fátima Borges, me enviou um email dizendo que, se eu fosse buscá-lo em Jundiaí, o marido dela o levaria para o Rio de Janeiro.

Ela me passou o email da pessoa que pedia ajuda para o animal. Então, combinei tudo e fui com meu pai, que já é falecido, mas que, na época, sempre ia comigo nestas empreitadas.

Chegamos a Jundiaí, encontramos a pessoa e pegamos o pobre animal, magro, cheirando muito mal e que ainda dava uma péssima impressão pois o focinho, na parte de cima, mexia sempre, pois ele tinha sido agredido ou atropelado.

Viemos para São Paulo e levei o "Lobinho", como o chamamos, para tomar banho e vacinas. Ele era muito manso.

Depois do banho, fui levá-lo para o armazém, na esquina da rua de casa, que eu usava como lar temporário. Enquanto meu pai abria a porta, eu me distrai e de repente, meu pai gritou:

- Olha, o cachorro escapou da coleira!

Ele saiu correndo e eu correndo atrás dele.

Eu parava, chamava ele, mas nada. E depois de uns 30 minutos, eu o perdi de vista.

Voltei pra casa e liguei pra Fátima, que me xingou de todos os nomes possíveis. E eu, nervoso, também a xinguei.

Depois, corri para a internet e postei mensagens descrevendo o lobinho, no intuito de que alguém o encontrasse e me avisasse.

Ele era bege, pequeno e parecia realmente um lobinho. E tinha o focinho que não parava de mexer.

Saí novamente de carro com o meu pai para procurá-lo, mas não o encontramos. Eu quase não dormi durante a noite pensando no pobre cão. E meu pai o procurava todas as manhãs.

Depois de uns 3 dias, para minha GRATA surpresa. A Susan, do “Adote um gatinho” me ligou falando que tinha visto um cachorro com as características do lobinho, na Vila Mariana. E ela o pegou e o trouxe para mim.

Era ele mesmo. Que alívio!

Acho que eu nunca tinha passado tantos dias sofrendo, pensando o que seria deste pobre animal.

Liguei pra Fátima, que estava “p” da vida comigo. Depois o levei ao Dr. Ivan, o veterinário que me ajuda em situações difíceis.

Ele estava bem e o marido da Fátima veio buscá-lo.

E ele foi morar no quarto da Raquel, filha deles. Foi das ruas de Jundiaí para uma confortável cama no Rio de Janeiro.

E o mais engraçado é que quando ele desapareceu, a Fátima havia colocado um anúncio na internet oferecendo recompensa para quem o achasse. E um monte de gente de Jundiaí ligou dizendo que o conhecia e que ia resgatá-lo. O que eles não sabiam é que ele já estava em São Paulo.

Depois disso, eu e a Fátima ficamos muito amigos. Ela se mudou adivinhem para onde? Para Jundiaí. E o Lobinho teve vida de rei até sua morte.  Ele foi muito feliz. Enquanto, vai saber como andam as pessoas que o maltratavam.

 

José Rey (Simple Zé)

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