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Segunda, 15 Março 2010 02:52

Os cães e os mendigos

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Outro dia me contaram uma piada assim: Você sabe por que os gatos são mais inteligentes que os cães? Porque você nunca viu um gato acompanhando um mendigo.

Tirando a piada e o preconceito de lado, sobra a amizade sincera que os cães nos oferecem. Em troca, eles pedem apenas nossa companhia. Os alimentos e o conforto ficam em segundo plano. Os cães são sempre sinceros. Quando não gostam e querem distância, rosnam e latem. Quando gostam, abanam o rabo e nos lambem.

Já o Ser humano, em tese a espécie mais evoluída, funciona um pouco diferente. Reclama e agride mesmo quando gosta e agrada mesmo aqueles de quem não gosta, se isto lhe trouxer alguma vantagem. Voltando a questão dos mendigos, qualquer pessoa que anda por São Paulo de olhos abertos se depara com eles em todas as regiões.

Mendigos sempre existiram, mas atualmente acontece um estranho paradoxo. Quanto mais forte fica a economia paulistana, quanto maior fica o orçamento municipal e quanto mais dinheiro a prefeitura de São Paulo destina à questão, mais mendigos aparecem, e aparecem em regiões onde não eram comuns.

Hoje a Praça da República se transformou em um grande albergue a céu aberto. Dezenas de moradores de rua enrolados em seus cobertores se alinham pelas calçadas. Adultos, velhos e infelizmente muitos jovens. Muitos cães se misturam a eles. Em alguns casos se você chega perto de um deles os cães ficam bravos, na intenção de proteger seus companheiros. Mas não é só na República não. Pacaembu, Bela Vista, Pinheiros, e muitos outros bairros também servem de refúgio a grupos de desabrigados.

Examinando um requerimento que o Vereador Roberto Tripoli, preocupado com a questão, fez a Secretaria Assistência Social, fiquei surpreso com alguns números. A prefeitura em 2009 destinou cerca de 50 milhões de reais aos programas de assistência aos moradores de rua através de ONGs conveniadas. Muito dinheiro, e à primeira vista, pouco resultado.

Para 2010 a verba engorda mais alguns milhões. Por curiosidade, se você dividir os 50 milhões investidos por 13 mil, que é o número de moradores que o mais recente senso oficial da Prefeitura aponta na cidade, daria quase 4 mil reais por ano por morador de rua. Mas acontece que nem todos estes moradores são ajudados de alguma forma pelos programas sociais.

Se fizermos a conta apenas com os que foram realmente amparados, o valor investido por morador ficará muito maior. Claro que a desagregação familiar, as drogas como o crack, o álcool e problemas mentais são os principais responsáveis por este drama social, mas precisamos questionar e examinar melhorar as políticas públicas para esta área, pois o dinheiro gasto não é pouco.


Veterinário Wilson Grassi
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