Sábado, 20 July 2013 03:31

A história de Filó

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A primeira coisa que notei na Filó, minha gata de estimação que adora azeitona, mamão, grão-de-bico, aspargos e abóbora, é que ela era meio estrábica. Foi justamente esse seu “defeito de fabricação”, e o fato de ela ter literalmente se aconchegado nos meus braços assim que a peguei no colo, que me fez tirá-la da rua. Era 22 de fevereiro de 2010, no Rio de Janeiro, e ela devia ter uns quatro meses e eu, 30 anos.

Naquele dia, eu e meu então namorado tínhamos feito uma compra grandinha num supermercado no bairro da Glória, mas, mesmo assim, decidimos subir a pé para Santa Teresa, onde ele morava. Normalmente, a gente pegava um táxi pra isso, mas, como os destinos estavam mesmo cruzados, nós não só resolvemos subir a pé uma ladeira enorme embaixo de um sol forte, como decidimos entrar em uma rua que nunca pegávamos pra ir pra casa. E lá estava a Filó, em cima de uma mureta, olhando o movimento.

A verdade é que além de apreciar mais vegetais do que carnes, a Filó é viajada. Do Rio a levei para São Paulo, em abril de 2010. De São Paulo, para Milão, em maio de 2012.  E fomos para a França de carro, em agosto do ano passado. Em todas as viagens ela estava junto comigo, dentro de uma caixa para pets, e em nenhuma delas reclamou ou deu escândalos. Não tão legal assim foi a burocracia para viajar com ela de avião.

Do Rio de Janeiro para São Paulo, só precisei da sua carteira de vacinação certificando que a vacina antirrábica tinha sido dada há pelo menos um mês, de um atestado de bom estado de saúde feito por um veterinário e de R$ 100 para a taxa de embarque. A caixinha com a Filó dentro não poderia passar de 5 kg – segundo as normas da companhia aérea.

A história ficou burocrática mesmo de São Paulo para Milão, mas, essa viagem tinha que ser feita, porque uma coisa que muita gente ainda não entendeu é que os animais não são objetos que você compra, dá, joga fora ou vende.

Papos animalistas à parte, recomendo muita atenção se você tiver que viajar com seu bichinho para a União Europeia, pois são exigidos muitos documentos e cada um deles tem validades bem diferentes um do outro. 

No meio dessa confusão toda, não se esqueça de avisar a companhia aérea de que você vai embarcar com um animal e de fazer o seu check-in e o dele 24 horas antes da viagem.

No fim de tanta chatice, me conforta lembrar que, apesar de cansativa, a viagem foi perfeita. Mesmo sem sedativos, minha lady felina estrábica veio tranquila e não fez xixi nem cocô durante toda a viagem, que ainda teve escala em Paris e durou no total umas 15 horas. Agora ela está aqui ao lado do computador, porque é quentinho, depois de ter se esbaldado com aspargos frescos que cozinhei para o jantar de hoje.

Samira Menezes, jornalista da Revista dos Vegetarianos

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