Sexta, 06 February 2015 00:00

A Vítima: o Tigre, O Culpado: a Pipoca

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Por mais que seja triste, e, é, saber que uma criança ficou fisicamente especial aos 11 anos, vale à pena tentar entender o verdadeiro culpado do que aconteceu, na esperança de evitar uma repetição disso no futuro, tendo em vista que já não é a primeira vez que acidentes envolvendo crianças e animais silvestres acontecem.

Em uma análise bem franca e sincera, considero que:

O pai não seja o grande culpado, embora seja um idiota. Estimulou e permitiu a transgressão das regras, ao deixar que o filho pulasse a primeira barreira de proteção e ainda oferecesse alimento proibido (ossos de frango). Permitiu também que o garoto atormentasse dois felinos de grande porte.

O filho: tem pelo menos 50% do DNA do pai. Pulou a cerca e aborreceu o quanto pode o Tigre e o Leão. Meus gatos já teriam avançado sobre mim por muito menos aporrinhação. É triste ter perdido o braço, mas correu o risco de perder a própria vida.

O zoológico: foi o palco de um espetáculo triste e humilhante. Onde uma espécie que na natureza deveria ser livre e altiva, agora é encarcerada, vendida ou comprada, limitada em todos os aspectos do seu comportamento natural e ainda é exposta a exibição pública como curiosidade.

A pipoca: este é o grande culpado. Quando as pipocas são requisitadas? Durante um filme na tv ou cinema, geralmente uma comédia. Ou um espetáculo teatral. Em situação de diversão. Ninguém come pipocas em um velório ou em momentos que exigem concentração, como dirigir um carro ou fazer uma prova. Os zoológicos, vendem pipoca!

Onde quero chegar: os animais silvestres, principalmente silvestres exóticos, não são pets. Não são animais para serem vulgarmente exibidos em situações de prisioneiros, nem para estarem em proximidade com as famílias, ainda mais com crianças, nem em casa nem em zoológicos. Falo aqui não só de tigres, mas de macacos, araras, tartarugas, cobras, passarinhos de todos os tipos e tamanhos, etc. A vida dos silvestres, com um mínimo de dignidade, é incompatível com o cativeiro, a dependência e a proximidade dos humanos. A única exceção admissível seriam os criadores conservacionistas verdadeiros, onde não exista nenhum interesse financeiro, apenas o da preservação de espécies ameaçadas de extinção.

Os zoológicos não se enquadram neste caso. O interesse principal de um zoológico é proporcionar diversão. Exibição. Sob a desculpa de estimular o contato e o respeito com a natureza, mostra exatamente como não se deve tratar os animais. Ensinam exatamente o contrário do que pregam, banalizando o valor intrínseco de cada prisioneiro, quer dizer, de cada animal exposto a ossos de frango e pacotes de pipoca. Isso para não dizer dos interesses financeiros de compras e vendas e seguros recebidos quando um animal raro misteriosamente vem a óbito.

Enfim, embora trágico para o menino e sua família, que este episódio sirva para nos alertar que os animais tem valor para eles mesmos e não só para nós, que não são curiosidades para serem exibidas, que precisamos respeita-los verdadeiramente, inclusive no seu emocional e que não podemos olhar para eles segurando um saco de pipocas.

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