Sexta, 22 October 2010 13:38

Vitória

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Por Aline Del Raso
(Psicóloga )

 

Estou escrevendo para compartilhar com vocês uma das experiências mais mobilizadoras que eu já vivenciei na vida. Para alguns pode até parecer uma grande bobagem, mas aqueles que amam a vida, em qualquer forma ou manifestação, vão me entender perfeitamente.

No sábado, dia 09 de outubro, a pedido de minha mãe, fui até o bairro de Castelo Branco - Salvador/BA, em uma tarefa de suma importância, iria resgatar uma cadelinha de rua.

Chegando lá, a encontrei ao lado de sacos de lixo, infestada por carrapatos, muito desnutrida, com dificuldade de se manter em pé, e com um agravante sério, tinha algo que a impedia de abrir a boca. O seu maxilar estava bastante inchado...

É lógico que comecei a me perguntar como faria para levá-la dali, mas os anjos, dos anjos de quatro patas, de fato estão sempre presentes. Uma estudante de veterinária nos ajudou, enrolou a cachorrinha em um lençol que havíamos levado, e a colocou dentro do carro. No caminho ela dormiu, cansada... Com fome... E com algum medo, pois de vez em quando ela me olhava, acredito que se questionando se poderia confiar em mim...

Nós a levamos direto para o veterinário. Ao ser examinada, a veterinária constatou que ela tinha miíase na boca, que precisaria ser tratada com uma limpeza local; e que sua cauda seria amputada, pois tinha muita “bicheira”, e não daria mais para tratar. Para que tudo isso fosse possível, ela seria anestesiada, e correria risco, uma vez que, estava muito debilitada.

Fomos para casa, ansiosos e muito preocupados, mas algumas horas depois o telefone tocou, e Vitória, como a batizamos, havia vencido essa batalha. Estávamos felizes, mas no domingo o telefone tocou novamente, era a veterinária... Vitória precisava de transfusão de sangue, lá fomos nós... E mais uma vez conseguimos.

Finalmente na terça-feira, ela saiu de alta, e a levamos para casa... Tamanha era a nossa alegria, pois a linda cachorrinha, enfim, iria se recuperar e teria um lugar para morar, com amor, carinho, sem frio ou medo.

Como tivemos muitos gastos, acionamos a rede de solidariedade que existe em torno dos animais de rua, e ela prontamente veio ao nosso auxílio. Descobrimos, então, um mundo de muita luta, suor e acima de tudo muita dedicação...

Qual seria a nossa surpresa, então, quando na quinta-feira, dia 14 de outubro, a nossa anjinha começou a passar mal, nós a levamos para a clínica, mas não deu tempo, ela morreu nos braços de minha mãe. Embalada com calor, segurança, amor, carinho, dedicação e muita, mas muita tristeza.

Ainda hoje, quando conto essa história, choro, mas choro muito... Por ela ter passado seis meses de sua vida sozinha, por ter sido maltratada, mas acima de tudo, por ter partido antes que pudéssemos lhe dar todo o amor que havia guardado para ela.

Que ela esteja feliz agora, no céu destinado aos puros.

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