Terça, 30 October 2012 19:20

Homenagem ao cãozinho Pudim

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Essa semana, perdi meu Pudim, um pitbull de alma nobre, olhos grandes e carentes, com um coração bom e também enciumado.

Não lembro exatamente o ano em que Pudim entrou para a nossa vida, mas acho que foi 2008. Ele foi entregue por seu tutor a um caseiro de nossa chácara.

            Chegou rosnando, impondo respeito e mostrando que era valente. Mesmo sendo apaixonada por animais, fiquei com medo quando cheguei naquele final de semana e subi para conhecê-lo, pois a pessoas falam muito mal dos pittbulls, mas logo percebi que era só pose.

            Com o passar do tempo, comecei a observá-lo melhor e percebi alguns problemas: Ele havia sido operado das cordas vocais para que não latisse, por isso, seus latidos eram roucos, essa operação também lhe causava problemas respiratórios. Seus dentes eram serrados o que o impedia de se defender em uma briga com outro cão, suas orelhas haviam sido praticamente extraídas e seu olhar era muito triste.

            O caseiro deixava Pudim passar fome, por isso, comecei a comprar ração para ajudar dentro do possível. Ele também tinha outra cachorra, que brigava com Pudim. Certa vez, numa dessas brigas, chegou a tirar-lhe a presa. Pudim ficou muito machucado e a cachorra também, pois havia levado pauladas para que se separassem.

Cuidei dos dois. E encontrei a presa de Pudim pouco tempo depois no meio do mato e a coloquei em um colar que uso com muito orgulho. Pois sei que essa presa pertenceu a um nobre.

Com o passar do tempo, o caseiro decidiu ir embora. E fiquei triste, pois já tinha me apegado ao Pudim e também sabia que longe ele sofreria maus tratos. Então pedi a ele que me desse o Pudim e de tanto eu insistir, ele acabou cedendo e o deixou comigo.

Eu já tinha um rotweiller e um vira-latas e Pudim era muito arisco com eles. E por conta das brigas ficava sempre sozinho. Mas meu marido decidiu deixá-los juntos e depois de algum tempo, começaram a conviver bem.

No ano passado, conseguimos outro caseiro. Sr. Darcy, um encantador de cães que se apaixonou por Pudim. Essa pessoa maravilhosa realizou grandes mudanças no comportamento de Pudim, que passou a dormir dentro de casa e já tinha sua própria poltrona.

Pudim ficou velho rapidamente, nos disseram que tinha cerca de 14 anos, muito para um pitbull. Nos últimos meses de sua vida, fazia acompanhamento no Hospital Veterinário da USP, pois estava com artrose, precisou emagrecer e a displasia o atacou.

A velhice acabou com ele. Agora não podia mais correr para me ver, mas eu corria para vê-lo e dar muitos beijinhos e coçar aquela barriguinha, para tentar fazê-lo esquecer dos maus tratos que sofreu em vida.

Essa semana, mesmo depois de todas as nossas lutas, de todas as minhas orações, meu Pudim virou estrelinha, seu coraçãozinho parou, aqueles lindos olhos castanhos não brilham mais e eu não poderei mais abraçar aquele corpinho querido.

 Pudim me fez mudar minha ideia sobre pitbulls. Hoje, tenho outras duas, tão doces e meigas quanto ele se tornou depois que conheceu o respeito, o amor e o carinho puro de alguém. Espero ter cuidado dele direito. Sr. Darcy, seu grande amigo, enterrou seu corpinho próximo das bananeiras que brilham ao luar em nossa chácara, vai continuar olhando tudo lá de cima como gostava.

Chorei muito a perda do meu gordo, mas o veterinário disse que seu coração parou em paz, sem sofrimento, somente a minha dor sobrou. Melhor assim.

História enviada pela ouvinte Regina Alvim
www.byreginaalvim.com

 

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