Sábado, 20 July 2013 02:42

Uma história comovente

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            Não é segredo para ninguém a minha paixão por animais, e também, que fui voluntária da Sociedade Protetora de Animais de Piracicaba por muitos anos. Gostaria de repartir com vocês, uma história  que vivenciei. Numa das feirinhas de adoção de filhotes que fizemos em uma praça, um fato me comoveu bastante e também a quem teve a oportunidade de presenciar o ocorrido.

Uma senhora trouxe vários cãezinhos-bebês, filhotes de uma cadela que encontrou na rua, abandonada. Um deles não conseguia andar e apenas se arrastava. Era esperto, olhinhos expressivos, mas melancólicos, talvez por pressentir que ninguém o adotaria. Animais possuem esse dom de pressagiar, como os bois levados ao matadouro, que se desesperam  diante da hora crucial do abate.

A princípio, pensei que ele estava doente, mas a senhora explicou que o pobrezinho nascera daquele jeito, com as perninhas defeituosas e por isso rastejava. Muito se conversou sobre o assunto e todos acabaram acatando a ideia  de que deveria ser sacrificado porque não  teria futuro e ninguém o quereria.

Vários outros filhotes, mais bonitos e saudáveis, foram sendo escolhidos e a feirinha estava para terminar. Eu não queria nem olhá-lo muito para não encarar aqueles olhinhos tristes e  angustiava-me saber da  sentença que pairava sobre sua inocente cabecinha.

        Eis que chegou uma moça bonita, que estava apenas de passagem pela praça e nem pretendia adotar animais. Olhou todos e achou-os lindos, até que encontrou o nosso cãozinho, protagonista desta narrativa e se inteirou da sua triste história. Chorou emocionada e decidiu que o levaria para casa. Ao explicarmos a ela que o cãozinho nunca andaria, foi categórica: “Olha, eu tenho um irmão que é deficiente físico e mental, um tio também deficiente e minha mãe, diabética, precisou amputar uma das pernas. Então, é esse mesmo o cachorrinho que eu quero levar!”

Lágrimas rolaram de nossos olhos. Para mim, foi um milagre lindo que aconteceu! O pobrezinho, de condenado à morte certa, passou a ter um lar e a ser querido por uma pessoa maravilhosa. Sua fisionomia me pareceu até ter mudado. Seria impressão apenas? Seus olhos pareciam mais alegres como qualquer filhote saudável e brincalhão. Creio que ele compreendeu o milagre que se operava naquele instante. Sua vida estava salva, ia ter um lar, receber carinho, cuidados e amor. Não duvidei que um dia viesse até a andar, tal o desvelo que pude sentir naquela fada boa  que o adotou.

            Quando a moça estava indo embora, abraçada com seu filhotinho, olhei para ela enquanto se afastava e visualizei, com os olhos do meu coração, um lindo par de asas fluídicas e diáfanas... E tive a certeza de que anjos existem!

Muito tempo depois, encontrei a moça que adotou aquele cãozinho e ela e me contou que ele ficou bom e andava normalmente. Concluo que o amor faz milagres!

Ivana Maria França de Negri

 

 

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