Domingo, 18 Outubro 2009 01:57

Comércio de animais silvestres.

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Hoje é muito fácil comprar um animal silvestre de forma legal. Principalmente nos grandes Pet Shops de São Paulo, você pode adquirir um papagaio, uma arara, uma tartaruga, além dê uma infinidade de outros animais da natureza, com nota fiscal, número de registro, identificação, tudo legal. Mas legal para quem? Não é para o bicho, com certeza!
Para que servem as asas? Não é para voar? Será que tem cabimento condenar uma ave a viver trancafiada em uma gaiola? Animais que por natureza vivem em bandos, no alto das árvores ou no meio da mata, a viverem presos? Para que isso? Para ouvirmos seu canto, ou melhor, seu lamento? Como símbolo de status? Para dizer que temos uma arara em nossa casa? Ora, claro que não tem cabimento. Se você tem um destes animais, adquirido há tempos, não tem mais jeito, vai ter que ficar com ele para sempre, pois não se adaptariam mais à natureza, mas se pensa em comprar, peço que pense duas vezes. Se você adquirir um animal ilegalmente, tenha certeza que ele foi capturado na natureza. Traficado do norte ou do nordeste do Brasil para São Paulo, trancado em pequenas caixas escondidas sob a lona de caminhões, passando sede, fome, frio ou calor. Estima-se que de cada dez animais traficados, nove morrem no caminho e apenas um sobrevive. Por ano, a polícia ambiental do Estado de São Paulo apreende trinta mil animais contrabandeados. A grande maioria morre.
E se você comprar um animal silvestre de forma regular, nos grandes pet shops, tudo bem? Não, não está tudo bem, e vou te dizer o porquê. O Ibama, que é o órgão do governo responsável por proteger nosso Meio Ambiente, regulamentou e permitiu a criação comercial e o comércio de animais silvestres, com a intenção de diminuir a captura e trafico destes animais. Porém o tiro saiu pela culatra. Esta permissão aumentou ainda mais a captura dos animais na natureza. Reproduzir uma ave silvestre não é coisa fácil. Um criador de papagaios precisa investir muito tempo e muito dinheiro para conseguir uma procriação destas aves para então vendê-las, devidamente registradas e identificadas para o comércio regular. Infelizmente muitos destes criadores preferem comprar dos traficantes, a preço de banana, filhotes seqüestrados da natureza e usar sua criação apenas para esquentar seus documentos. Até nas araras existem clones. Para uma arara devidamente registrada, diversos clones traficados. E não é só este colunista que está dizendo isso. Durante os meses de maio e junho de 2009, a Câmara Municipal de São Paulo entrevistou Veterinários do Ibama, agentes da divisão ambiental da Guarda Civil Metropolitana, representantes das ONGs S.O.S. Fauna, Projeto Muck e Mata Ciliar, Policia Ambiental do Estado de São Paulo, entre outros, e confirmou este cenário.
Lugar de animal silvestre é na floresta, é na mata. Não é nas casas das pessoas, não é na gaiola, não é no aquário. Eles não são Pets, por mais que o comércio deseje vender todo tipo de acessórios em função destes bichos.
Pense na frase: Pássaro na gaiola não canta, lamenta!
 
Veterinário Wilson Grassi
Diretor de Bem Estar Animal da Anclivepa-SP
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