Quinta, 14 Janeiro 2010 15:22

Vai se mudar? E o seu animal?

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Estes dias têm sido uma tormenta. São várias as pessoas que me ligam, dizendo que o vizinho se mudou e deixou seu cão sozinho em casa. Recebi também muitas ligações de moradores de uma área entre a Penha e Guarulhos, dizendo que a CDHU está retirando famílias de uma favela e oferecendo uma bolsa aluguel até um apartamento ficar pronto e a família se mudar em definitivo. E os bichos? As famílias alegam que a CDHU não deixa se mudar para os apartamentos com animais e dizem que as imobiliárias não aceitam alugar para famílias com cães. Querem saber o telefone da Sociedade Protetora dos Animais, para que ela venha buscar os animais que agora não podem mais cuidar.
A primeira coisa que explico é o seguinte: não existe uma grande e mágica Sociedade Protetora de Animais com capacidade de recolher todos os cães que as pessoas não querem mais, ou não podem mais cuidar. O que existe sim são pequenos grupos de pessoas que tentam ajudar, e alguns abrigos, mas que tanto estas pessoas como estes abrigos já não tem capacidade de receber mais nenhum animal. Estão todos apinhados de cães e gatos e com enormes dificuldades financeiras de cuidar deles. Aí perguntam: E a prefeitura, não faz nada? Faz, mas não faz milagres.
A prefeitura gerencia o chamado Centro de Controle de Zoonoses, que tem o canil municipal. Este departamento é mais conhecido popularmente como “carrocinha”. Até dois anos atrás os animais recolhidos para o canil municipal tinham uma chance de adoção por alguns dias e se depois, se não fossem adotados eram sacrificados. Hoje existe uma lei estadual que proíbe sacrificar os animais que chegam lá saudáveis, o que é louvável, mas fez com que este canil também ficasse superlotado, com cerca de 500 animais. Alguns conseguem ser adotados, mas a grande maioria não, e vivem espremidos, sem sol, como os detentos nas delegacias do Pará, até que a morte venha buscá-los.
A situação é tão complicada que mesmo que você telefone pedindo, eles não tem condições de recolher os animais da rua, pois não tem onde colocar. Creio que nem adianta pleitear mais canis, pois em instantes se tornariam superlotados novamente. Sem Sociedade Protetora para buscar, nem carrocinha, alguns me dizem que vão então soltar na rua. Bom, ai eu perco a paciência e digo que além de covardia e crueldade, isso é crime de maus-tratos, previsto na lei 9.616/96 e que pode dar até cadeia. Na rua um animal passa fome, sede, frio, calor e pode morrer de doenças ou atropelado. Ninguém quer isso para o seu cão, não é? Antes de aceitar um animal em nossas vidas, precisamos lembrar que eles vão depender de nós para quase tudo e durante cerca de 15 anos. Precisamos prever inclusive as possibilidades de mudanças de endereço, familiares e econômicas.
Se algo aconteceu e você vai mudar, e não vai mesmo levar seu cão, lembre que ele considera você o máximo. Que daria a vida por você. Saiba também você só pode contar com você mesmo para resolver está situação e encontrar um lar para ele. Cheque a saúde e a vacinação. Providencie uma cirurgia de castração (que pode até ser gratuita pela prefeitura), para que ele ou ela fique mais comportado e não tenha mais filhos, converse com todos os seus amigos e familiares. Faça cartazes e espalhe pelas clínicas veterinárias e pet shops. Participe de feiras de adoção de cães e gatos e ore, para que apareça em seu caminho alguém apto e preparado para cuidar bem do seu ex-melhor amigo. Agora, para quem não quer nem saber e muda deixando seu animal para trás, eu posso dizer o seguinte: ele com certeza te perdoaria, mas não creio que você mereça.

Veterinário Wilson Grassi
www.wilsonveterinario.com.br
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