Sábado, 12 Dezembro 2009 22:48

2009 - Retrospectiva da Proteção Animal.

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2009 - Retrospectiva da Proteção Animal.
 
O ano começou com uma noticia que surpreendeu e emocionou a todos, o Quintal de São Francisco anunciou o fechamento de seu abrigo. Santa Catarina fica sob as águas e tragédia atinge também cães e gatos. Não existia nenhum programa de resgate planejado. Em março, Tripoli cria uma comissão de estudos na Câmara Municipal, para discutir nossa convivência com os animais na cidade de São Paulo, e expõe o descaso de boa parte da população para com eles e a fragilidade do poder público para enfrentar a situação. Em Brasília, Lula regulamenta a Lei Arouca e autoriza experimentação com animais. Lançamento mal planejado de esterilizante químico cria a injeção da discórdia. Nos poucos parques paulistanos, com suas poucas árvores, os poucos animais silvestres que ainda restam fogem dos muitos gatos, e no extremo sul são atropelados pela construção do rodoanel. Em São Paulo, Prefeitura abre diálogo com o movimento de proteção animal, em sucessivas reuniões. Em abril, centenas de manifestantes se reúnem, exigem e derrubaram o gerente do Centro de Zoonoses. O movimento pede, entre outras coisas, mais castrações. O Prefeito Kassab vem a público, fato inédito, reconhece a dívida e lança o Probem. Na televisão uma propaganda compara um cão a um sofá velho e emociona o público.
Na vida real, uma fiscalização em Pet Shop da Zona Oeste mostra a crueldade do comércio. Cães e gatos, doentes e trancados sobre a sujeira aguardando um inocente comprador. Pelo Brasil afora, proliferam novas Ongs de proteção animal e protetores independentes cada vez mais conectados. Conselho dos Veterinários pisa na bola e tenta impedir seminário sobre tratamento da leishmaniose. Projeto prevê a separação do CCZ entre Controle de Zoonoses e Bem-Estar Animal. Guarulhos discute a volta dos rodeios e o fim dos Pit Bulls. No congresso, ganhamos duas batalhas contra os circos, mas ainda não vencemos a guerra. Enquanto isso, o fantasma da queda do artigo 32 continua a rondar. Democraticamente criamos o G-16 que logo virou G-15. Protetores arregaçam as mangas e adotam tarefas no Centro de Zoonoses paulistano. Uma petição circula na Internet, com pretensão de virar projeto de lei, pedindo que animais não sejam mais considerados mercadorias. Outubro, rodeio clandestino se esconde no meio da favela, em plena capital e entusiasma moradores. Inédito projeto piloto prega merenda escolar vegana e consegue apoio da prefeitura. Descoberto casal de brasileiros que comem porcos e matam cães para os coreanos comerem. Protetores fiscais lutam contra as feiras de cães e gatos, e contra criadores que se comportam como moscas teimosas que sempre voltam a zumbizar. Prefeitura credencia mais dez veterinários para atuar nas castrações. Dezembro, mau gosto volta a imperar e restaurante para paladares requintados promove deplorável festival do foie gras. Ufa! Quanto assunto no mesmo ano. E para os animais, o que isso resolveu de prático? Difícil dizer, talvez muito pouco. Como o Tripoli sempre diz, o poder público não age, mas sim reage, e se reagiu pouco perante nossas expectativas, talvez seja porque agimos pouco (inclusive eu), ou então porque poucos agiram. De qualquer forma, vale a frase da Nina Rosa, “para os animais não importa nem o que você sente nem o que você pensa, importa o que você faz”, e tudo o que aconteceu em 2009 teve a participação, reação ou atento acompanhamento de protetores e defensores dos animais e se não resolvemos os problemas, ao menos reconhecemos sua existência, discutimos e tentamos fazer o que consideramos ao nosso alcance.
Que tenhamos ainda um Natal entre amigos e família, uma ceia sem carne, (pois se deixássemos os animais também teriam família) e um ano de 2010, intenso, de união e realizações.
Veterinário Wilson Grassi
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