Quinta, 14 Janeiro 2010 17:37

Quem cuida dos animais nos casos de desastres naturais?

Avalie este item
(0 votos)

Notícias de enchentes, alagamentos e deslizamentos já fazem parte do nosso cotidiano. Algumas tragédias são previsíveis, como as que envolvem pessoas que moram em regiões onde ninguém deveria morar, mas que mesmo assim as prefeituras toleram. Outras surpreendem, pelo ineditismo ou pela intensidade inimaginável. Este último foi o caso da charmosa cidadezinha paulista de São Luiz de Paraitinga, famosa pela sua arquitetura histórica, totalmente devastada pelas chuvas, neste início de 2010.


Os estragos nas construções que ficaram sob as águas foram enormes, mas o número de vítimas fatais (conta-se uma), foi proporcionalmente pequeno perante a magnitude da inundação. Já os animais não tiveram a mesma sorte. Na hora em que as águas sobem, cada um pensa primeiro em si e em seus filhos (o que é compreensível), depois tenta salvar móveis e documentos, e por último seus animais. Muitos os deixam para trás. Ou porque não deu mesmo, ou porque eram “apenas” animais. Na tragédia de Paraitinga, contam-se mais de 80 gatos e uma centena de cães mortos por afogamento. Muitos, de um abrigo local, que nem precisaria existir se as prefeituras fizessem controle populacional de animais, controlassem o comércio e estimulassem a guarda responsável.


Para as vítimas humanas, apesar do drama em suas vidas, há apoio por parte da defesa civil. Água, alimentos, alojamentos e roupas podem ser conseguidos, em boa parte graças ás doações da sociedade civil. Os bichos contaram com doações de ONGs de proteção animal e protetores independentes. Durante a inundação alguns foram salvos pelos praticantes de canoagem da região. Depois de alguns dias as águas baixaram, e os animais que conseguiram fugir nadando ou subindo em telhados começaram a voltar, mas muitos não encontram mais suas casas (que não existem mais) e suas famílias, que se mudaram para a casa de algum parente em outra cidade. Eles também não fazem parte das preocupações do poder público, embora este mesmo governo não abra mão do alto ICMS que cobra nas rações, do ISS que cobra dos veterinários, nem dos impostos sobre o comércio de medicamentos e vacinas para pets. No dia 10 de janeiro de 2010 um grupo de ONGs, protetores independentes e veterinários visitou a região, ajudou com cuidados aos animais sobreviventes, vacinação contra leptospirose e doação de ração. Cerca de 40 animais foram atendidos e tratados das enfermidades mais urgentes. Apesar da tristeza da situação, o ponto alto da visita foi quando uma protetora de animais, após ouvir notícias que havia um gato ainda vivo entre os escombros, pulou as faixas de contenção e desobedecendo as ordens policiais, entrou em uma casa interditada, destruída e prestes a desabar e não saiu de lá até que encontrasse e resgatasse o sobrevivente.

Veterinário Wilson Grassi
www.wilsonveterinario.com.br
O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
Lido 6417 vezes