Quinta, 20 Maio 2010 14:33

Lula e a Revolução dos Bichos parte I e II

Avalie este item
(0 votos)

Limpando meus arquivos de computador, encontrei um texto que escrevi por volta do ano de 2005. Ele foi baseado na situação política da época. Eu havia votado no Lula, em sua primeira eleição, com esperança de ver um país diferente. E como muitos brasileiros, me senti traído quando explodiu a denúncia do mensalão. Pensei comigo: mas era para ser diferente!

Na mesma época, caiu em minhas mãos o livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. Na hora, entendi que o que estava acontecendo não era novo, mas parte de uma engrenagem que deve ter se repetido tantas vezes na história da humanidade, que até virou uma obra literária de valor histórico.

O artigo da época (2005) era assim: Parte I - George Orwell é leitura obrigatória para quem deseja entender os mecanismos políticos de governo ou alternância de poder. Especificamente, a “Revolução dos Bichos” é imperdível. Tentando não estragar a  surpresa de quem ainda não leu, vou resumir bem a estória. “Um grupo de animais vive em uma fazenda. São porcos, cavalos, galinhas, cães, etc. Através de um porco inconformado com a vida que tinha, surge a constatação que os animais são oprimidos e explorados pelos fazendeiros e pela humanidade em geral, mas que como eram maioria, poderiam se unir, fazer uma revolução e tomar para si o controle da fazenda. Assim, acabariam de uma vez com a exploração e o sofrimento das suas vidas. Este animal idealista morre alguns dias após semear sua tese, mas deixa seguidores. Estes seguidores se organizam e com muito esforço conseguem expulsar os humanos, tomando o controle da fazenda. Na estória, os porcos se destacam entre os animais como os mais inteligentes e ardilosos. Os cães, os mais fieis. Os cavalos, os mais trabalhadores e as galinhas, as mais influenciáveis. Naturalmente os porcos assumem, então, a liderança do grupo e pregam a igualdade de direitos e deveres. Porém, na administração da coletividade, aos poucos, sob o pretexto de que faziam o que precisava ser feito ou o que podia ser feito, mas que no futuro as coisas iriam melhorar, os líderes traem a revolução formando uma casta dominante, que colocou a administração da fazenda voltada não para o bem estar de todos os animais que fizeram a revolução, mas sim para sustentar o luxo, o conforto e a opulência do novo líder e de seus amigos, tornando a nova situação também de exploração e sofrimento, identica a anterior, apenas mudando os beneficiários.”

A estória de Orwell foi escrita há muitas e muitas décadas e é uma metáfora de situações passadas. Passadas? Leia o livro. É curto, em uma hora você termina. Cada espécie animal (porcos, cavalos, cães, galinhas, etc.) tem ricas características humanas que combinam com alguém que você conhece, ou melhor, com algum político que você conhece. Depois pense: quem é o Lula na Revolução dos Bichos?(Assim terminava o artigo que escrevi nos idos de 2005.)

Hoje, o Brasil mudou e eu tomei a liberdade literária de completar o texto com uma parte II, que continua assim: Parte II - Após anos de dificuldades, a coisas começaram a melhorar. O clima foi favorável à agricultura, com chuva e sol na hora certa e na quantidade certa. As fazendas todas da região tiveram boas colheitas e fizeram muitos negócios entre si, o que foi bom para todas elas. O porco líder supremo distribuía benesses aos animais mais pobres, agia e falava como um deles e lembrava a todos como fora boa sua administração, que graças a Deus, os animais haviam tomado o poder do antigo fazendeiro e que nunca antes da história daquela fazenda os animais tinham sido tão bem tratados.

Já alguns animais que não dividiam com ele o poder preferiam dar o crédito às reformas que o antigo fazendeiro iniciou antes de ser expulso da fazenda.

A verdade é que a fazenda havia melhorado mesmo e com ela a vida dos bichos, que estavam mais bem alimentados e confortáveis, podiam manifestar suas opiniões livremente, ganhar dinheiro e participar das decisões.

Embora os porquinhos ainda sonhassem em controlar a imprensa e os meios de comunicação para evitar surpresas no futuro. Sonhavam também em mandar para a prisão antigos funcionários da fazenda (hoje já aposentados e de pijama) que há mais de 40 anos judiaram e mataram os primeiros porquinhos revolucionários.

Tudo parecia ir tão bem, que o líder supremo julgava ter resolvido todas as questões importantes da sua fazenda. Sentiu-se ungido por Deus de uma missão maior e passou a se preocupar com a fazenda dos outros, mesmo as mais distantes. Viajava e procurava espalhar pelo mundo inteiro sua sabedoria administrativa e política, candidatando-se a “líder supremo do planeta”.

De fato, a vida na fazenda de forma geral melhorou muito. Se foi o clima, se foi o fazendeiro ou se foram os porcos, ai só o George Orwell para responder.

*Wilson Grassi - médico veterinário O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
Lido 7389 vezes