Terça, 16 April 2013 19:11

Algumas raças de cães são predispostas a alergias e problemas de pele

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As veterinárias Juliana Jordão e Bruna Piva tratam cães com problema de pele no hospital VET  (Foto: Silva Junior / Especial)

As veterinárias Juliana Jordão e Bruna Piva tratam cães com problema de pele no hospital VET
(Foto: Silva Junior / Especial)

Assim como os seres humanos os cães sofrem processos alérgicos e doenças de pele. A dermatite e as reações a picadas de insetos são comuns e demandam cuidados especiais. “Em torno de 75% dos casos que atendo são de dermatites”, afirma a veterinária Juliana Jordão, do Hospital VET 24h.

Algumas raças de cães são mais suscetíveis e predispostas às alergias e doenças de pele: shitsu, lhasa, golden retriever, labrador, pug, bulldog inglês e francês. “Principalmente as mais peludas têm deficiência na produção de ceramidas na pele, deixando-a mais seca e tudo que entra em contato com ela reage e libera estaminas, inflamando. Por isso o animal coça”, explica a veterinária. “São animais que têm dermatite atópica com muita frequência”, acrescenta.

Segundo Juliana, tem animal que leva uma picada de abelha que provoca só um edema local. Em outros pode causar até o fechamento da glote – parte da anatomia da laringofaringe por onde passa o ar -, com perigo de asfixia. “É o que chamamos de reação de hipersensibilidade”, detalha.

As alergias podem ser desencadeadas por picadas de insetos, alimentos, ácaros, infecções bacterianas recorrentes, picadas de carrapatos, contatos com produtos químicos, plantas e infecções por fungos.

A mais preocupante é a provocada por picadas de insetos como formiga, abelha, aranha e escorpião. Segundo a veterinária, são agentes que desencadeiam rapidamente um processo alérgico. A liberação de estamina é mais rápida e o animal começa a ficar vermelho, a inchar e às vezes começa a fechar a glote. “É um atendimento emergencial porque, se o organismo do animal não conseguir por si só conter essa liberação de estamina, ele pode morrer em minutos”, diz.

Se o animal está com os olhos inchados, orelha vermelha e dificuldade de respiração, é preciso levá-lo para o hospital para tomar injeção de corticoide. Segundo a veterinária, nesses casos, o tutor pode adotar como primeiro socorro dar ao cachorro uma dose de antiestamínico, como Polaramine, para amenizar os sintomas até ele chegar ao veterinário.

Já os gatos são mais resistentes a esse tipo de problema, pois têm uma imunocompetência mais avançada. “Ao receber uma picada, a reação alérgica é menos avassaladora”, diz a veterinária.

Produtos de limpeza e plantas são vilões
As alergias provocadas pelo contato com produtos de limpeza também é frequente. São as chamadas dermatites de contato. Produtos químicos abrasivos usados para limpeza, ceras ou ácidos que não são totalmente removidos do chão podem se tornar vilões para os cães.

Plantas também podem provocar alergias. Logo o animal começa a se coçar, o que pode provocar lesões que enfraquecem e chegam a derrubar os pelos. “Pode até formar bolhas no local e umidade”, acrescenta Juliana Jordão, do VET 24h.

Os cães também estão suscetíveis a alergia de ácaros, mofo, alimentos e até pelos de gatos.

As dermatites atópicas podem ser desencadeadas ao longo do tempo, já que o organismo vai se sensibilizando aos poucos. “O organismo dele tem uma memória e, ao entrar em contato com esses agentes, começa a se coçar”, explica.

O tratamento de cães alérgicos é inicialmente terapêutico, apenas com medicamento. Mas se ele não responder de forma positiva, é possível fazer um teste intradérmico cutâneo para descobrir o que está provocando a alergia. “São extratos que inoculamos na pele e verificamos se o animal faz reação ou não”, descreve.

A veterinária ressalta que os cães diagnosticados atópicos não têm cura. É possível fazer apenas controle. “Ao invés de quatro crises ao ano, por exemplo, ele terá apenas duas”.

Fonte: A Cidade

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