Sábado, 20 July 2013 02:59

Uma história de vida

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Eu tinha apenas 4 meses de vida, quando minha família me jogou na rua. Ficava jogado ou andando sem rumo e, por infelicidade, acabei pegando sarna. Me coçava muito e foi se agravando, até que meus pelos começaram a cair. E fui ficando feinho. De cachorro, passei a parecer um monstrinho.

Dois meses se passaram, e um dia, andando pela rua, vi um casal sentado próximo a um portão. Parei perto deles. Então ouvi a moça dizer:

- Nossa, um cachorro tão pequeno e tão cheio de sarna. E como ele está feinho, heim.

Então abaixei a cabeça e fui embora triste. Mas fiquei surpreso por não me darem vassouradas. Pois todos faziam isso comigo, quando eu me aproximava.

Dois dias depois, passei por lá novamente e encontrei o mesmo casal. Então resolvi me sentar ao lado da moça e fiquei olhando pra eles. A moça me olhou e disse:

- Coitado. Ele deve estar com fome e frio. E ainda como toda essa sarna...

O marido dela perguntou?

- Vamos ficar com ele?

A moça assustada respondeu:

- Não. Esta sarna está muito adiantada.Vai ser difícil curar...

E ele decidido retrucou:

- Vamos ficar com ele. Compramos alguns remédios e cuidamos dele. Ele vai ficar bom.

Então, os dois me colocaram para dentro. Eles tinham outros cachorros e me deixaram separado até que eu me curasse.

Com o tempo, o cuidado e o carinho, comecei a ficar bom. Meu pelo voltou a crescer e voltei a ser um lindo cãozinho de pelos longos e olhos azuis. E passei a morar dentro de casa. Ganhei cama, cobertor.

Ganhei o nome de Piter e o apelido de Zé. Vivi muitos anos com aquela família. Mamãe nos amava muito. Cuidava de nós. Resgatava os que encontrava em sofrimento na rua e chorava e sofria demais quando via algum morrer.

Envelheci. Comecei a perder meus dentes. Andava devagar, sentia dores nas pernas... E ouvi a mamãe dizer ao marido dela.

- O Zé não está bem. E já está velhinho, com 21 anos. Eu não quero perdê-lo. O que vamos fazer.

E em Dezembro de 2012 comecei a piorar. Comia pouco. E mamãe passou a me dar vitaminas para ajudar, mas nada fazia efeito. Eu já não levantava e ela me ajudava a andar. Me ajudava em tudo o que eu precisava. Ela sofria e chorava, pois não queria me perder e eu também não queria partir.

Mas no dia 23 de dezembro, meus anjos vieram me buscar. Então descansei. Deixei dois amiguinhos e uma amiguinha que também viviam lá. O Ruan, o Beto e a Núbia, todos resgatados da rua.

Nunca vou esquecer os bons momentos que passei com esse casal. E espero que um dia, a pessoas tratem melhor os animais e saibam que só queremos ser felizes ao lado de uma família, com carinho e respeito. Que minha história de vida toque o coração de vocês para que isso aconteça e que Deus abençoe a todos.

 

Rosa Maria Lagreca

 

 

 

 

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