Sábado, 20 July 2013 03:36

"Despedida"

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À nossa companheira que fez parte de nossas vidas durante 12 anos, que nos trouxe tantas alegrias, que nos acompanhou em nossa caminhada até aqui, em nosso dia-a-dia, nas idas e vindas de viagens, que permanecerá para sempre em nossa memória e em nossos corações e que só reforçou a crença de que cuidar, amar e ser amado vale a pena. Obrigada por ter feito parte de nossa vida!

O dia 08 de junho de 2011, provavelmente foi um dos dias mais tristes para nós, pois você foi embora, deixando nossos corações cheios de dor e de saudades, mas ao mesmo tempo, temos a certeza de que te amamos tanto quanto podíamos ou até mais. O amor não tem tamanho, nem intensidade!

Esta foi à forma que encontramos para nos despedir da nossa cachorrinha-filha, quase gente, que nos amava incondicionalmente, que percebia quando estávamos tristes e silenciosamente se sentava ao nosso lado, como para dizer que estava conosco. Protegia-nos de eventos que ela considerava como ameaçadores.

Que brincava descontraída e nos alegrava... Que chamava a atenção pela sua beleza... E nos deixava orgulhosos... Que nos esquentava no frio ao dormir coladinha conosco... Que se comunicava com o olhar... Com aquela expressão “de carente” que só quem conviveu com um Cocker sabe como é...

Lembro quando ela chegou em casa. Era uma tarde muito fria de um final de semana em São Paulo, quando por insistência do Maurício, meu marido, fomos a uma feira de pet... E ele queria que eu a visse... Eu sabia que se a visse não resistiria... Ele também... Me revesti de toda a coragem para não trazê-la para casa e fomos.... Ao chegar lá... Não queria pegá-la... Pois sabia que aí não daria mais para resistir... Estrategicamente, ele a pegou no colo e colocou-a nos meus braços... E foi assim que nossa historia começou... Aquele ser pequenininho, dourado, enroladinho nos meus braços... Não resisti!!!

Veio a noite, e apenas por esta noite combinamos que dormiria conosco... E isso aconteceu por 12 anos... Ela foi crescendo... Sapeca, moleca, bagunceira, roia móveis, sapatos, roupas, comia tudo... Estragava nossas plantas... espalhava terra pela casa... Derrubava tudo... Em alguns momentos achava que não aguentaria e uma luta de amor e cansaço para arrumar toda a bagunça e lidar com as perdas materiais se travava... E o Mauricio, com seu amor e carinho me consolava... E o amor vencia... Até que compreendi que valia muito mais estar com ela e conviver com a bagunça que ela fazia, do que perder esta oportunidade de conviver com este ser... E assim foi...
Obrigada Mauricio pela insistência… por tê-la trazido para nós... por ter me feito tão feliz...

Assim como uma criança, ela foi crescendo, amadurecendo, mas não exatamente como um adulto... Pois as brincadeiras continuaram, brincar era a sua marca...

Todos os que conviveram com ela a amavam... Meu filho Leandro e minha nora Mariana, ao chegarem em casa, sempre a procuravam.. E muitas vezes ela, dividida, dormia com eles, não sem antes nos olhar como para pedir desculpas e se revezava pelas camas...

 Nossa colaboradora e amiga Claudia conviveu com ela uma vez por semana, mas o tempo foi suficiente para estabelecer um vínculo de amor, carinho e respeito. Diana a esperava na porta e a recebia pulando e latindo. E suas filhas? Ah... Pequeninas, chamavam nossa casa de casa da Diana... Ela era o personagem principal... E elas também aprenderem a amá-la. Uma das expressões mais felizes que ela fazia, era quando eu ia dormir e ela se aninhava ao meu lado... Respirava fundo e dormia tranquilamente, pois sabia que estava ao lado de alguém que a amava muito.

 

 

Neusa Léo Koberstein

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