Sábado, 20 July 2013 03:38

A História de Guga

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Eu não vou desistir dos animais, mas procurarei ser menos "impulsiva". Pensei que os anos me trariam mais racionalidade, mas sou do signo de "Peixes" e assim continuo chorona, impulsiva e outros adjetivos (positivos e negativos).

A Dra. Bete estava certa: o Guga viveu 10 dias conosco e, na medida do possível e da nossa concepção de bem-estar, estava bem. Se estava feliz, só ele poderia dizer, pois não era fácil para ele se movimentar... Fazia um esforço danado, mas tinha vontade de viver e era extremamente dócil, apesar daquela carinha de "pitbull". Aliás, isso facilitou o seu resgate.

Apesar do trabalhão que tivemos para cuidar dele, aprendemos muito com ele. Viveu e morreu com dignidade, estava alimentado, medicado, limpinho, e avisava quando fazia as "cacas", acho que ficava aflito por conta da fralda.

Enquanto chovia e fazia frio naquela semana, ele estava lá em casa abrigado na minha saleta forrada de jornais e papelões. Posso dizer que Deus colocou o Guga no meu caminho para me ensinar a ser uma pessoa melhor. Ele era tão bonzinho, até mastigava os comprimidos que eu dava.

Somente na última manhã começou a ter umas dores de barriga a partir das 8h, e eu fiz massagens e percebi que deu uma aliviada. Troquei sua fralda, e ele foi descansar, mas depois, parecia estar incomodado... E por volta das 9h, ele começou a ter enjoos e uma espécie de convulsão. Chamei o Sergio para me ajudar. E enquanto ele começou a fazer o curativo. Guga levantou a cabeça, nos olhou e desfaleceu. Fizemos massagem cardíaca. Esperei, achando que ele voltaria. Mas não... Ele descansou!

Após algum tempo consegui escrever esta história, para entender o porquê de sua partida repentina se ele estava, aparentemente, tão bem...

Escrevo também para agradecer aos Drs. Alexandre e Bete, pela assistência médica nos 10 dias de acolhimento do Guga, mas, como disse o Dr. Alexandre: São Francisco foi misericordioso e levou o Guga para junto de si.

 Não me sinto culpada, sei que fiz tudo o que pude, e mais do que poderia com a ajuda da Samara e do Sergio. Agradeço a minha mãe querida, que emocionada me ligou e apontou o local onde resgatei o Guga, no centro de Guarulhos na noite de 31 de maio de  2012 e ainda me ajudou com as despesas.

Vocês devem estar se perguntando se depois de tudo isso, eu faria de novo. Farei o que meu coração me disser para fazer, afinal, mais do que falar, devemos agir,cada um de uma maneira, e com as ferramentas que puder dispor.

 Agradeço os conselhos do Dr. Alexandre, mas já avisei lá em casa que se eu virar "cachorreira acumuladora" é para me internarem num hospício. A Samara e o Sérgio são meus "grilos falantes". De loucura em loucura, vou agindo e, pasmem, sou feliz... Sou feliz por fazer algo em prol daqueles que são marginalizados, esquecidos, ignorados, desrespeitados, sofrem violência e crueldade por uma sociedade capitalista, por aqueles que nos  criticam, mas não fazem nada para nenhum ser. Assim como eles, eu também sou feliz, pois sei que ainda tenho saúde e certa disponibilidade financeira para cuidar, curar, acolher.

 

ana uyehara

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