Sexta, 30 August 2013 22:43

História de um cão

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Em minhas caminhadas diárias pelo Condomínio Morada da Praia em Boracéia – Bertioga, no ano de 2009, sempre aparecia para me acompanhar, um cão bebê muito carinhoso e carismático, era um mix de akita.  Ia caminhando ao meu lado, brincando com gatos que encontrava, perseguindo paturis, até que encontrava alguém mais interessante para acompanhar. Depois de 2 meses, sumiu.  Achei que seus donos haviam se mudado.

Após 4 ou 5 meses, surgiu em minha rua, um cão de tamanho grande, bastante desnutrido, tanto que tinha definidos as costelas e os ossos da bacia também estava com bicheira, carrapatos, sarna negra, entre outras coisas.  Era realmente, um caso de horror.  Então, eu e os vizinhos começamos a cuidar dele e a medicá-lo.

Ele sumiu por 4 dias, achamos que o havíamos matado com as medicações.  Mas quando retornou, ainda magérrimo, já tinha tufos de pelos nascendo e reconheci que era o mesmo cão de antigamente. Continuamos o tratamento no abrigo oferecido pela vizinha, que autorizou o uso de sua varanda. E depois ficou em uma cabana de vinil de piscina improvisada em frente a minha casa. Ele achava que era dono do pedaço, avançando nos cães que por ali passavam.  Coloquei nele uma coleira com o nome Timão.

Após 4 meses de tratamento da sarna negra, parecida uma hiena, com manchas cinza e pelos bege.  Andava de forma mais elegante. Engordou bem, mas não o suficiente. 

Pela sua altura e seu latido forte, foi roubado e lavado pra fora do condomínio.  Mas como sempre foi sedutor, havia feito amizade com os trabalhadores locais e esses vieram me perguntar certo dia, porque eu havia dado o Timão a uma pessoa que o levou amarrado a um fio de telefone. 

Com a ajuda de vigilantes locais, localizei o raptor e exigi o endereço de onde o tinha levado. Quando o visitei, fiquei triste: Timão estava amarrado sob uma arvore, com o mesmo fio que foi levado, sem água, sem alimento, uma espuma jogada no chão, num terreno com mato de mais ou menos 70 cm e chorando quando me viu. 

Pedi ajuda, e foi exigido do raptor, que se quiser ficar com Timão, tinha que ter uma casinha, vacinas, limpeza do mato, etc...  O raptor logo desistiu e trouxe-o de volta, da mesma maneira, amarrado na moto.  Aí percebi q se eu não o adotasse e prendesse no quintal, o fato ocorreria novamente. 

Porém, meu marido disse, que se eu pegasse o Timão, ela sairia de casa.  Como? Depois de 32 anos de casados?  Com tanto amor pra lhe dedicar ainda. Ele era merecedor?   Meu coração balançou.  Resolvi ficar com o Timão e convencer meu marido do meu amor, por ele e pelo cão. 

E assim se concluiu a história do Timão que continua conosco.  Sempre sedutor, faz muitas amizades, com humanos e com animais.  As crianças do condomínio, quando chegam, nos finais de semana, antes de entrar em suas casas, vêm visitá-lo, mesmo debaixo de chuva, ou frio.  Quando passeamos com ele, algumas pessoas que nem conheço, cumprimentam-no com carinho.  Gosta de brincar com panos. Bolas ou sacolinhas plásticas.  Uiva de inveja quando passa um cão solto, na rua.  Exige dos vizinhos, um afago. Reconhece todos os que o ajudaram e retribui com muito carinho.

 

Luiza Geraldi

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