Sexta, 30 August 2013 23:00

Minha irmãzinha Aninha

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Eu tinha apenas 1 mês de idade, quando papai e mamãe resgataram a Aninha. E ela também era um bebê de 1 mês. A encontramos quando voltávamos de uma visita à casa de minha tia, e mamãe quase morreu do coração quando papai freou e parou a roda dianteira do carro quase em cima da linda gatinha branca.

Mamãe convenceu papai de que deveríamos levá-la para casa, para que ela não fosse atropelada de verdade, pois estava circulando em uma avenida movimentada. Papai consentiu e ela veio morar conosco.

Ao chegar em casa, mamãe tentou alimentá-la com leite, mas ela não quis e também não comia ração. Ela estava muito magrinha e então muito preocupada, mamãe decidiu levá-la no dia seguinte ao veterinário. Lá, ela ficou por 2 dias e depois voltou para nossa casa.

Agora, mamãe tinha 2 bebês: Eu e aninha. Crescemos juntas e não me lembro de nenhum momento de minha vida em que ela não estivesse. Momentos felizes e tristes. Viagens, passeios, aniversários, problemas na escola, primeiro beijo. Segredos. Contei todos a ela. E ela me ouviu, sem me julgar. E quando eu chorava, ela se roçava em mim para me consolar.

Sou filha única, mamãe perdeu dois bebês depois de mim. Sofreu, mas depois se convenceu de que não adiantava e dizia: Tudo bem, já tenho duas filhas. E Aninha sempre retribuiu a ela o amor que recebia, como uma verdadeira filha.

Hoje tenho 18 anos e aninha também. Sou uma jovem e ela já é uma senhorinha enfrentando diversos problemas de saúde, que segundo nosso veterinário, são coisas da idade.

Damos a ela todo o carinho e conforto necessário para que se sinta bem, pois às vezes fica muito debilitada. Sofremos demais em vê-la sofrer e sabemos que a qualquer momento partirá.

Dói tanto, que choro agora ao escrever. Mas o que conforta é saber que foi e é amada. Que amou também. Que se divertiu e que soube o tempo todo aproveitar a chance que Deus lhe deu ao tirá-la debaixo da roda do carro do meu pai.

Nós te amamos Aninha. Te amamos demais e sabemos que, caso parta, continuará vivendo bem na eternidade, pois se tornará mais um anjinho.

Muito obrigada por todo o amor que deu a nossa família.

Dr. Wilson, no final da carta vou pedir que você toque uma das músicas preferidas da Aninha, ela sempre fica atenta quando toca, mesmo quando está debilitada.

 

Lívia Danielle

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