Sexta, 06 February 2015 00:00

Simplesmente Chico

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Toda semana ele fazia tudo sempre igual. Desta vez não seria diferente.

Segunda feira de manhãzinha, ainda não havia nem clareado o dia direito. Chico chegara da rua exausto, com cara de cansado e visivelmente mais magro. Ninguém tinha notícias dele desde sexta à noite, quando saíra para a farra.

Deixara a companheira e o filho sozinhos. Agora voltava com arranhões no pescoço e nas costas. Não dava para saber com certeza se era briga ou namoro. Mal entrou em casa e já brigou com a mulher e deu vários tapas na cabeça do filho. Procurou pelo seu prato, que estava preparado, comeu com fome de mendigo, limpou o bigode e foi dormir sem tomar banho. E dormiu o sono dos justos, por mais de 12 horas seguidas.

Filó e o filho já estavam acostumados e sempre perdoavam Chico. Semanas antes havia sido pior. Chico se meteu em uma briga na rua e acabou 3 dias internado. Em outra ocasião, adquiriu uma doença contagiosa e passou para toda a família. Apesar de tudo ele não era mau. Também tinha momentos doces, quando curtia ficar ao lado da família, brincando e fazendo carinho.

Incoerente? Não, apenas obedecia a sua natureza, seus hormônios, seus instintos. Chico não conhecia o espaço que existe entre estímulo e resposta, chamado liberdade de escolha. Sua reação era sempre instantânea. Fazia o que dava na cabeça.

Pessoas que gostavam do Chico estavam preocupadas, afinal com este estilo de vida pensavam que ele não duraria muito e acabaria morto ou sumindo de vez. Afinal, as estatísticas mostravam isso. A morte precoce era uma tragédia anunciada.

Estas mesmas pessoas se informaram, conversaram com especialistas e tomaram uma decisão pensando em resguardar sua vida e melhorar seu comportamento. Assinaram os documentos necessários e Chico foi encaminhado para o veterinário, para passar por uma cirurgia de castração. O procedimento foi bem sucedido e Chico teve alta no mesmo dia.

Nos primeiros dias não se percebeu muita diferença no comportamento do gato rueiro e namorador, mas com o passar das semanas sim. Após alguns meses Chico ficou caseiro, engordou, trocou as feridas por um pelo brilhante e passou a ficar mais tempo com a família. O mais importante, saiu do grupo de risco que as estatísticas apontam para morte precoce e passou a ter uma expectativa de vida de muitos e muitos anos.

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