Sexta, 06 February 2015 00:00

A volta do Sadim

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Na verdade o Sadim nunca foi embora. Ele está sempre a espreita, ansioso por uma boa energia para sugar, como as sangue-sugas que emergem do lodo em busca de um acesso venoso. E não existe só um Sadim, infelizmente existem vários. Digo a volta, pois retomo um termo que ouvi pela primeira vez há alguns anos, em uma palestra do Guru Baba Gioso, que habita o cume do monte Oiraniretev.

Sadim é anagrama de Midas. Exatamente o contrário. Tanto na grafia como na atitude. Midas, segundo a lenda transforma tudo em ouro. Sadim transforma em chumbo. Midas constrói. Sadim destrói. Midas elogia. Sadim critica. Midas coloca o foco na solução da questão. Sadim só tem olhos para os problemas. Midas fica feliz com a felicidade dos outros. Sadim se remói. Midas chama para si a responsabilidade de tudo na vida. Sadim põe a culpa nos outros. Midas é humilde e aprende com seus erros. Sadim é arrogante e pensa que não erra nunca, por isso não precisa melhorar. Midas tira forças de seus valores. Sadim precisa da desgraça alheia para se sentir melhor. Midas ajuda. Sadim atrapalha. Midas aceita a mudança e busca se adaptar. Sadim pragueja e se agarra ao passado. Midas busca a autoconsciência. Sadim mente para si mesmo. Midas sabe o valor do silencio. Sadim fala sem parar. Midas arruma sua própria casa. Sadim desarruma a casa dos outros. Midas compreende. Sadim agride. Midas sabe que precisa melhorar muito. Sadim acha que os outros precisam melhorar muito. Midas respeita. Sadim desconfia. Midas tem coragem para ser telhado. Sadim joga pedras. Midas dá a outra face. Sadim dá outro tapa. Midas vai atrás da sua felicidade. Sadim esconde suas frustrações. Midas é ocupado, pois trabalha e estuda muito. Sadim tem tempo de sobra para falar mal dos outros. Midas faz. Sadim fala. Midas liberta, Sadim acorrenta. Midas estende a mão. Sadim passa a perna. Midas é um eterno aprendiz. Sadim é um doente emocional e o Sadinismo é um mecanismo de defesa para encobrir suas fraquezas e frustrações.

Midas, no passado, pode ter sido um Sadim, que abriu os olhos e decidiu mudar. Sadim pode virar Midas, mas primeiro precisa parar, ter coragem de se autoanalisar, tirar suas mascaras, entender e enfrentar suas verdadeiras motivações e então controlar de verdade suas ações. Possível, mas tarefa para poucos.

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